Não há uma mulher que não tenha feito esta pergunta. Como também não há um homem que tenha conseguido respondê-la de modo universal. O que os homens querem das mulheres é algo que muda de homem para homem – mais, muda a depender do momento de cada homem e da relação que ele vive a cada momento. Porque nenhum homem é igual a outro, assim como nenhum homem é o mesmo o tempo todo e nenhuma relação é igual nem a mesma o tempo todo. Apesar de todos esses poréns, resolvi aceitar a pergunta e me jogar na aventura de respondê-la, correndo, inclusive, o risco de ser politicamente incorreto, pois qualquer resposta honesta que se dê a essa questão trará, invariavelmente, aspectos da sombra masculina, algo que nem homens nem mulheres gostam de encarar.
Por que me pergunto?
A pergunta surgiu num café da manhã com uma amiga. Ela me contava sobre uma relação que havia estremecido e seus esforços em reatá-la. Dizia que, após um período separados, ela e seu companheiro voltaram a se ver e a conversar. Nesses encontros, ela procurava ajudá-lo a organizar sua vida com perguntas e sugestões que o fizessem refletir sobre suas escolhas. Mais madura e com mais experiência de vida do que ele, minha amiga esperava que essa abordagem contribuísse para reconstruir o vínculo entre os dois.
Enquanto ela contava sua história, eu imaginava se alguém realmente acreditava que ser amiga ou mãe de um homem é a melhor maneira de conquistá-lo. Claro que homens precisam de amizades e cuidados, mas, antes da deusa mãe, precisam de Afrodite! Quando manifestei esse raciocínio, minha amiga ficou com o queixo caído, como a dizer: como não percebi isso antes? Não percebeu porque não se perguntou o que os homens querem das mulheres, oras! Se tivesse se perguntado, no mínimo, teria lembrado que os melhores momentos que teve com seu companheiro, os mais intensos, foram momentos de prazer e não de “organização e solução de problemas”! Essa descoberta não é algo trivial. Ela muda tudo.
A Pirâmide de Maslow masculina
O psicólogo americano Abraham Maslow acabou entrando para a história com sua “Pirâmide de Maslow”, onde ele representou a hierarquia das necessidades humanas. Se quiser conhecê-la em detalhes, clique aqui .
A partir do que ouvi, li e, especialmente, vivi como homem, resolvi reinterpretar livremente a “Pirâmide de Maslow” para representar a hierarquia das necessidades específicas masculinas – para simplificar, organizei-as em apenas 3 estágios: fisiológicas, relacionamento e realização pessoal.
Na base da pirâmide, onde Maslow coloca as necessidades fisiológicas, eu destacaria, além do sexo, mais duas: sexo e sexo. Pois é, a primeira coisa que tem que funcionar bem numa relação é sexo. Se essa questão estiver mais ou menos, não se iludam: ou a relação vai para o espaço ou vamos resolvê-la fora da relação. Isso também quer dizer que, dificilmente, se reconstrói o vínculo com um homem sem que se comece por este estágio. Caso contrário, a relação tende a ir para o caminho da amizade e não para a integração total homem-mulher. Outra questão que reforça nosso apego ao sexo é o DNA de caçador. No entanto, ao contrário do que imagina a maioria das mulheres, o fato de nos sentirmos atraídos por outras mulheres, algo que nosso olhar de radar não esconde, não implica em que saiamos por aí pegando todas. Pelo contrário, muitas vezes, nos nutrimos dessa energia sexual alheia, como um navio que se reabastece para uma viagem, cujo destino são nossas próprias parceiras.
No estágio seguinte, relacionamento, primeiro faço uma revelação que ainda perturba muita gente: a relação para um homem, diferentemente do que ocorre para as mulheres, não é nem nunca será sua prioridade de vida. A prioridade de um homem é seu propósito. Não pretendo entrar em detalhes neste assunto, para não fugir de nosso foco, mas quem desejar conhecer um pouco mais dessa visão, convido a ler o texto “Seu propósito deve vir antes de seu relacionamento”, de David Deida, autor de inúmeros livros sobre a natureza masculina.
O fato de os relacionamentos não serem nosso foco principal implica em cultivarmos naturalmente diversos relacionamentos e, muitas vezes, atribuirmos a eles pesos semelhantes. Estou falando de companheiras, amigos, filhos, parentes e colegas em geral. Entender isso é fundamental para a criação de vínculos conosco. Por exemplo, uma companheira que não aceita que também podemos ter enorme prazer quando não estamos com ela, mas, por exemplo, com colegas de trabalho bebendo depois do expediente ou, até, entre desconhecidos, torcendo para nosso time num estádio de futebol, ameaça essa necessidade essencial para a felicidade masculina. Gostamos muito de estar com essas pessoas, mas, repito, nosso foco não é a relação com elas e sim nosso propósito.
No topo da pirâmide, chegamos, finalmente, à realização pessoal, que, para um homem, está relacionada à consciência e concretização de seu propósito. Esse propósito pode estar relacionado tanto à realização profissional quanto ao desenvolvimento espiritual.
É nesse estágio que nossas necessidades se aproximam das necessidades femininas, pois, com o sexo resolvido e nossas diferentes formas de relacionamento respeitadas, abrimos espaço para conversar sobre questões menos ligadas à carne e mais ao espírito. Só que, muito cuidado, isso não significa que desejemos as mesmas coisas do que elas.
Se tivermos que escolher entre o relacionamento íntimo perfeito e atingir nosso propósito mais elevado, escolheremos ser bem-sucedidos em nosso propósito. Por isso, nossa realização dependerá de nossa capacidade de identificar, manifestar e praticar nosso propósito, qualquer que seja ele. Aqui, portanto, os papéis de amiga e cuidadora são muito bem-vindos, desde que nos sintamos respeitados em nossa individualidade e nossa liberdade, esta última uma necessidade que todo ser humano precisa para viver e que assume uma importância ainda maior para um homem, na medida em que é a partir dela que começamos a alicerçar o nosso propósito.


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